04 novembro, 2007

Jihad - Todos Falam, Ninguém Conhece

Este é um conceito muitas vezes entendido, no Ocidente, de forma simplista como uma guerra santa. No entanto, é um conceito bem mais amplo e espiritual.

O Alcorão faz referência a quatro formas de jihad; ofensiva, defensiva, maior e menor. Focarei neste artigo o binómio maior vs menor.
A jihad maior, como explicou o Profeta Maomé, consiste no esforço de cada muçulmano para se tornar um ser humano melhor, uma luta interna de disciplina moral.


Relativamente à jihad menor, esta é entendida como a luta contra os agressores do Islão, devendo ser usada para proteger e promover o Islão.

É esta ultima que em parte define o novo fundamentalismo radical islâmico dos movimentos mais extremistas de hoje (Al-Qaeda, Hezbollah,…).


Ou seja, os ocidentais não são os únicos a interpretarem mal a ideia de jihad. A forma como os movimentos fundamentalistas distorcem o seu significado mais nobre de luta interna para ser um muçulmano bom e devoto, diz muito dos conflitos que ocorrem actualmente no Médio Oriente e um pouco por todo o globo. Encaram a jihad como uma filosofia política.


Os novos grupos jihadistas não têm planos para a formação de governos democráticos ou para uma melhor assistência social dos seus seguidores.

Estes militantes dependem de um único líder e acreditam que a plena devoção do seu discurso lhes permitirá liderara uma nova sociedade São igualmente obcecados pela aplicação da sharia (lei islâmica), vêem-na como um meio de controlarem o comportamento dos muçulmanos. De salientar que esta “nova” sharia resume-se a um severo código penal que despoja o Islão dos seus valores espirituais, ou seja, resumem o Islão ao uso de trajes muçulmanos como a burka, o comprimento da barba ou ao vasto conjunto de proibições discriminatórias que recaem sobre as muçulmanas.


Este nosso séc. XXI define-se como a batalha do Ocidente contra o terrorismo islâmico. No entanto, não me parece que estejamos a usar os melhores instrumentos, uma vez que pouco fazemos no sentido de melhorar as condições sociais, políticas e económicas dos Estados muçulmanos permitindo desta forma o crescimento do radicalismo islâmico.

Este combate obteria certamente mais frutos caso os esforços fossem no sentido de melhorar a conjuntura social dos Estados muçulmanos onde os movimentos radicais actuam. Desta forma, as futuras gerações muçulmanas veriam os ocidentais não como inimigos mas antes como importantes aliados no seu desenvolvimento. Consequentemente, o apoio aos radicais islâmicos perderia fulgor dado que estes não possuem grandes preocupações sócias.

1 comentário:

Carlota V. Cid disse...

Olá Joana! Estou no segundo ano de sociologia e foi-me proposta a realização de um trabalho que recai sobre o fundamentalismo islamico. Apos analisar com algum detalhe os 5 pilares que o "sustentam" decidi, por um misto de curiosidade e interesse pelo que me parece actual, encaminhar especial atençao a este que me parece ser o sexto pilar, a Jihad, apenas acreditada por uma ala de radicalistas se não estou em erro e bem entendi. Assim, cheguei ao seu blog, não encontro outra forma de contactar consigo mas gostaria que soubesse que em bastante me esclareceu!!! Seria possivel que, se tivesse tempo claro, me enviasse via e-mail alguns artigos ou links que me esclarecessem um pouco quanto a jihad ofensiva e defensiva? Também gostaria de entender o Hamas (partido de Deus) na sua totalidade pois admito serem temas nos quais ainda não me sinto muito avontade. Mais uma vez parabens pelo blog, Obgda, Carlota Varela Cid